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5 de mai de 2011

JEAN-PAUL SARTRE (1905-1980)

     Filósofo existencialista francês, nasceu em Paris e estudou na Escola Normal Superior. Lá conheceu sua companheira de toda a vida, Simone de Beauvoir. Sua ideia de que a existência precede a essência tornou-se uma referência importante para existencialistas e para a cultura do século XX. Sua defesa da liberdade, suas críticas ao autoritarismo e seu ateísmo foram parte de uma carreira que misturou ação literária, política e acadêmica. Recusou o prêmio Nobel de Literatura. Suas obras filosóficas mais conhecidas são: O Ser e o Nada, o Existencialismo é um humanismo e Crítica da Razão Dialética.

 
     O Existencialismo é um Humanismo
     Neste breve texto o filósofo explica o que é o existencialismo. Partindo da crítica à noção de essência prévia o texto apresenta três aspectos fundamentais do existencialismo: a angústia, o desamparo e o desespero. Sartre ainda classifica o existencialismo como um "duro otimismo" ao colocar sob a responsabilidade dos homens as decisões e escolhas de suas vidas.

     Negando qualquer possibilidade de uma leitura determinista, individualista, ou ainda de quietismo Sartre explicita outro conceito: o de engajamento. Quando um homem escolhe a si mesmo ele escolhe toda a humanidade.

     Destacamos dois tipos de existencialistas: por um lado, os cristãos (Jaspers e Gabriel Marcel) e, por outro, os ateus (Heidegger e Sartre). O que eles têm em comum é simplesmente o fato de todos considerarem que a existência precede a essência, ou, se preferir, que é necessário partir da subjetividade. O que significa isso exatamente?

     Consideremos um objeto fabricado, como, por exemplo, um livro ou um corta-papel; esse objeto foi fabricado por um artífice que se inspirou num conceito. O corta-papel é um objeto que é produzido de certa maneira e que,por outro lado, tem uma utilidade definida: seria impossível imaginarmos um homem que produzisse um corta-papel sem saber para que tal objeto iria servir. Podemos assim afirmar que, no caso do corta-papel, a essência precede a existência.

     Ao concebermos um Deus criador, identificamo-lo, na maioria das vezes, com um artífice superior, e que Deus, quando cria, sabe precisamente o que está criando. Assim, o conceito de homem, no espírito de Deus, é assimilável ao conceito de corta-papel, no espírito industrial: e Deus produz o homem segundo determinadas técnicas e em função de determinada concepção, exatamente como o artífice fabrica um corta-papel. No século XVIII, o ateísmo dos filósofos elimina a noção de Deus.

     O existencialismo ateu afirma que, se Deus não existe, há pelo menos um ser no qual a existência precede a essência, um ser que existe antes de poder ser definido por qualquer conceito: este ser é o homem. O que significa, aqui, dizer que a existência precede a essência? Significa que, em primeira instância, o homem existe, encontra a si mesmo, surge no mundo e só posteriormente se define. Só posteriormente será alguma coisa e será aquilo que ele fizer de si mesmo. Assim, não existe natureza humana, já que não existe um Deus para concebê-la. O homem nada mais é do que aquilo que ele faz de si mesmo: é esse o primeiro princípio do existencialismo. É também a isso que chamamos de subjetividade. Porém, a dignidade do homem é maior do que a da pedra ou a da mesa. O homem é ,antes de mais nada, aquilo que se projeta num futuro, e que tem consciência de estar se projetando no futuro. E o homem será apenas o que ele projetou ser. Eu quero aderir a um partido, escrever um livro, casar-me, tudo isso são manifestações de uma escolha. Porém, se realmente a existência precede a essência, o homem é responsável pelo que é. Desse modo, o primeiro passo do existencialismo é o de por todo homem na posse do que ele é de submetê-lo à responsabilidade total de sua existência. Assim, quando dizemos que o homem é responsável por si mesmo, não queremos dizer que o homem é apenas responsável pela sua estrita individualidade, mas que ele é responsável por todos os homens. Ao afirmarmos que o homem se escolhe a si mesmo, queremos dizer que cada um de nós se escolhe, mas queremos dizer também que, escolhendo-se, ele escolhe todos os homens. Escolher ser isto ou auilo é afirmar o valor do que estamos escolhendo, pois não podemos nunca escolher o mal; o que escolhemos é sempre o bem e nada pode ser bom para nós sem o ser para todos. Portanto, a nossa responsabilidade é muito maior do que poderíamos supor, pois ela engaja a humanidade inteira. Sou, desse modo, responsável por mim mesmo e por todos e crio determinada imagem do homem por mim mesmo escolhido; por outras palavras: escolhendo-me, escolho o ser humano.

     Como devemos entender a angústia? O existencialismta declara frequentemente que o homem é angústia. Tal afirmação significa o seguinte: o homem que se engaja e que se dá conta de que ele não é apenas aquele que escolheu ser, mas também um legislador que escolhe simultaneamente a si mesmo e a humanidade inteir, não consegue escapar ao sentimento de sua total e profunda responsabilidade.

     Não existe determinismo, o homem é livre, o homem é liberdade. Por outro lado, se Deus não existe, não encontramos, já prontos, valores ou ordens que possam legitimar a nossa conduta. Assim, não teremos nem atrás de nós, nem na nossa frente nenhuma justificativa e nenhuma desculpa. Estamos sós, sem desculpas. O homem está condenado a ser livre. Condenado, porque não se criou a si mesmo, e como, no entanto, é livre, uma vez que foi lançado no mundo, é responsável por tudo o que faz. O existencialista não pensará nunca que o homem´pode conseguir o auxílio de um sinal qualquer que o oriente no mundo. Pensa, portanto, que o homem, sem apoio e sem ajuda, está condenado a inventar o homem a cada instante.


Bibliografia:
-MONDIN, Battista. Curso de Filosofia, vol.3, São Paulo, Paulus, 1983.


Celsio Elias Carrocini  -  Franca-sp.