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30 de jun de 2011

SIGMUND FREUD - VIDA E PENSAMENTO


Sigmund Freud nasceu em Freiberg, na Morávia, em 6 de maio de 1856. Quatro anos depois, sua família transferiu-se para Viena, onde ele passou a maior parte da vida. Em 1873, ingressou na Universidade de Viena para estudar medicina e sofreu restrições devido a sua condição de judeu. Trabalhou no laboratório de fisiologia com Ernst Wilhelm von Brücke entre 1876 e 1882 e concentrou-se em pesquisas sobre a histologia do sistema nervoso. A essa altura já revelava grande interesse pelo estudo das enfermidades mentais, bem como pelos métodos utilizados em seu tratamento.
Dedicou-se à clínica psiquiátrica a partir de 1882, embora relutasse em abandonar a pesquisa. Sentindo as limitações de Viena no tocante às possibilidades de aperfeiçoamento, planejou uma viagem a Paris a fim de assistir aos cursos proferidos por Jean-Martin Charcot. Para tanto, dispôs-se a obter o mestrado em neuropatologia, o que conseguiu em 1885. No mesmo ano ganhou bolsa para um período de especialização em Paris.
O encontro com Charcot foi fundamental no desenvolvimento da obra de Freud. Segundo seu próprio relato, foi Charcot quem lhe chamou a atenção para as relações existentes entre a histeria e a sexualidade, tese de que nunca abriu mão. Ainda em Paris, Freud concebeu o plano de um trabalho destinado a estabelecer uma distinção entre as paralisias orgânicas e as paralisias histéricas. A tese de Charcot, de que a histeria não era uma doença mental exclusiva da mulher, foi inteiramente absorvida por Freud, o que lhe valeu violentas críticas dos meios acadêmicos de Viena, tão logo a expôs por ocasião de seu regresso.Durante o período compreendido entre 1882 e 1896 foi intensa a colaboração entre Freud e Josef Breuer, que criara o método catártico e descobrira a íntima relação existente entre os sintomas histéricos e certos traumas de infância. Freud teve a oportunidade de conhecer a experiência de Breuer num caso de histeria cujos sintomas enfraqueciam à medida que a paciente, hipnotizada, descrevia os fatos ocorridos na época em que contraíra a doença. Publicou, em colaboração com Breuer, dois trabalhos, dos quais o mais célebre é Studien über Hysterie (1895; Estudos sobre a histeria), que marca o início de suas investigações psicanalíticas.
Pouco depois, Freud rompeu com Breuer e substituiu a hipnose pelo processo da livre associação de idéias, o que lhe permitiu isolar e estudar os fenômenos de resistência (mecanismo de defesa que o paciente apresenta ao sentir que se revelam suas experiências recalcadas) e de transferência (o vínculo emocional entre o paciente e o analista). Desde então os dois fatores passaram a formar uma peça central na técnica da psicanálise.
Em 1897 passou a observar a natureza sexual dos traumas infantis causadores das neuroses e começou a delinear a teoria do chamado complexo de Édipo, segundo o qual seria parte da estrutura mental dos homens o amor físico pela mãe e o ímpeto de assassinar o pai. Na luta contra esse complexo tanto os homens podiam desembocar na neurose como na superação, em si mesmos, de idéias herdadas, e no impulso de refazer o mundo. Nesse mesmo ano, chamou a atenção sobre a importância dos sonhos na psicanálise.
A primeira obra psicanalítica propriamente dita de Freud foi Die Traumdeutung (1900; A interpretação dos sonhos), por ele considerado seu principal trabalho, ao qual se seguiram Zur Psychopathologie des Alltagslebens (1904; Psicopatologia da vida cotidiana) e Drei Abhandlungen zur Sexualtheorie (1905; Três ensaios sobre a teoria da sexualidade), entre outras obras.
Depois de um período de isolamento, Freud fundou a Sociedade Psicanalítica de Viena em 1908, com o pequeno grupo que semanalmente com ele se reunia. Ocorreu, então, o contato com Eugen Bleuler e com Carl Gustav Jung. O interesse revelado por Bleuler, um dos mais notáveis psiquiatras da época, pela psicanálise representou uma espécie de reconhecimento do valor das técnicas e doutrinas freudianas. No mesmo ano, realizou-se o primeiro congresso de psicanálise em Salzburg, onde se decidiu a publicação de um anuário dirigido por Freud e Bleuler, cujo redator-chefe era Jung.
Em 1909 Freud pronunciou um ciclo de conferências nos Estados Unidos, a convite da Clark University, em Worcester, fato que representou a primeira aceitação oficial da psicanálise. Em 1910, por ocasião do segundo congresso internacional de psicanálise, realizado em Nuremberg, fundou-se a Associação Psicanalítica Internacional, que congregou os psicanalistas de todo o mundo. Ao anuário psicanalítico somou-se uma revista especializada, dirigida por Alfred Adler e W. Stekel, e a Imago, sob a responsabilidade de Otto Rank e H. Sachs, esta destinada a estudos não médicos e às aplicações culturais da psicanálise.
Entre 1911 e 1913 ocorreram várias defecções no seio da sociedade. Adler e Jung se afastaram e, com este último, toda a chamada escola de Zurique separou-se de Freud. O afastamento de Jung era previsto, especialmente após desentendimento com Karl Abraham acerca da natureza das psicoses, quando este adotou a perspectiva freudiana, frontalmente oposta à de Bleuler. Em 1911 realizou-se o Congresso de Weimar.
No trabalho de Freud estão intimamente ligados os aspectos clínico, teórico e técnico. Seu método de livre associação tornou-se essencial à técnica terapêutica e também importante instrumento de pesquisa psicológica. Dentre suas obras, destacam-se, além das já citadas: Totem und Tabu (1913; Totem e tabu), em que examina os problemas da antropologia social à luz da psicanálise; Das Unbehagen in der Kultur (1930; O mal-estar da civilização), em que expõe toda uma teoria sobre a evolução social da humanidade; e Der Mann Moses und die monotheistiche Religion (1939; Moisés e o monoteísmo), seu último livro, escrito aos 83 anos.
A ascensão do nazismo e as crescentes perseguições aos judeus atingiram Freud. Inicialmente, porém, ele rejeitou o convite para instalar-se no Reino Unido e preferiu continuar em Viena. Com o agravamento da pressão nazista, porém, e graças à ajuda financeira de Marie Bonaparte, Freud mudou-se para Londres, onde morreu, em 23 de setembro de 1939. Trabalhava a esse tempo, em colaboração com sua filha Anna, na redação de uma obra dedicada à análise da personalidade de Hitler.

Bibliografia:
Enciclopedia Britânica